quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Meu coração. Minha jornada

Algumas de vocês já sabem da minha última aventura médica, mas vou fazer um relato sobre os últimos acontecimentos para que se vocês algum dia venham a ter alguém que precise passar por essa cirurgia possam ajudá-lo.
Amanhã completo 4 semanas da minha cirurgia de coração aberto.

Quando era pequena os médicos disseram que eu tinha um sopro no coração. Mas diziam que era benigno que não era nada demais. Eu nunca tive muito fôlego para correr e fazer exercícios. Mesmo assim eu sempre tentei fazer de tudo um pouco. Há mais ou menos 7 anos atrás em Porto Alegre estava sentindo que meu coração andava meio diferente. Ele pulsava fora do normal e resolvi ver um cardiologista. Ele me mandou fazer um ecocardiograma que constatou que eu tinha um buraco no meu coração. O médico disse que não era nada demais e que se fosse me causar algum problema seria pelos meus 50 anos de idade e que já estaria velha e morreria logo mesmo. ( Bem delicado o “infeliz”).

Eu continuei vivendo minha vida normalmente. Há pouco mais de 5 anos junto com meu marido nos mudamos para os EUA, e há 2 anos estamos morando em Salt Lake City, Utah. Em julho do ano passado (2012) estava vendo um clínico geral e falei desse buraco que uma vez um médico me disse que tinha. Ele mandou investigar e me passou  para um cardiologista e descobrimos que tinha um ASD (Atrial Septal Defect). É uma forma de defeito no coração que permite a mistura do sangue entre dois compartimentos do coração chamados átrio esquerdo e átrio direito. O cardiologista então falou que um lado do meu coração já estava levemente maior que o outro devido ao esforço que ele tem que fazer para funcionar. E que se isso continuasse poderia me levar a um derrame.

Eu nasci com esse problema. Ele é mais comum do que imaginamos, mas na maioria das vezes só é descoberto depois de um derrame. Mesmo tendo nascido com isso, realmente “descobrir” que tenho um problema dessa magnitude aos 30 anos de idade foi difícil.

O cardiologista disse que existiam 2 opções para fechar o buraco. Uma através de um procedimento simples de cateterismo onde ele implantaria através de uma veia um mecanismo que iria até o meu coração e lá fecharia o buraco. A segunda opção era a cirurgia. Tentamos a primeira opção, mas meu buraco era muito grande que nem o maior mecanismo serviu para fechá-lo. Meu buraco media 5cm x 3cm, em um formato mais ou menos oval. Partimos então para segunda opção. A cirurgia.

À escolha do meu cardiologista fui ver um cirurgião e marcamos a cirurgia para janeiro 2013, tempo suficiente para que meus pais pudessem comprar passagem e virem para cá para estarem comigo nesse momento.

No dia 24 de janeiro entrei no hospital para fazer exames. No dia 25 de janeiro as enfermeiras me acordaram às 5 da manhã. Minha cirurgia seria às 7:30. A enfermeira me disse que minha cirurgia podia ser cancelada porque a contagem dos meus glóbulos brancos do sangue estava alta, indicando uma infecção. Duas semanas antes eu estava com sinusite e tomei antibiótico. Podia não estar totalmente curada. Ficamos então esperando o médico aparecer e se decidir em relação a minha cirurgia. Quase às 8 horas ele aparece e fala que por ele pode ser feita a cirurgia, mas que eu tinha que decidir. Eles são muito cuidadosos quantos aos riscos e me disse das possibilidades. Pedimos um tempo para conversar com meu marido. E fizemos uma oração e senti que deveria fazer a cirurgia. 

A partir daí foi tudo muito rápido. A enfermeira veio e me  deu uma injeção que era pra me relaxar para a cirurgia. Logo fui para a maca onde dois enfermeiros estavam me esperando para me levar para a sala de cirurgia. Um dos enfermeiros fez missão no Brasil. Enquanto esperava do lado de fora da sala da cirurgia veio o anestesista e conversou comigo e começou a colocar os catéteres na minha veia para a anestesia e soro. Entrei na sala de cirurgia e lembro de olhar para os lados e ver muitas pessoas e computadores e não lembro mais nada até...

Até quando me acordaram. Lembro deles chamando meu nome e de dar uma respirada bem funda. Eu tinha pedido para o enfermeiro para que se possível tirassem o respirador de mim e desatassem minhas mãos antes de eu acordar e felizmente eles fizeram isso. Depois eu lembro de acordar de novo na UTI e de ouvir o Luiz falando pro enfermeiro que eu tinha pedido pra ele tirar fotos pra eu me ver como estava. E pedi mesmo! Heheh. E durante as próximas horas fiquei meio dormindo, meio acordada. Lembro do enfermeiro pedir para o Luiz sair da sala para que eles me limpassem. Depois o Luiz voltou e ficou comigo o tempo todo na sala. Eu estava toda ligada em fios no pescoço, marcapasso externo no peito, soro na veia...e assim vai... e fiquei assim ainda por dois dias. Depois de umas horas os enfermeiros me sentaram na cadeira. Eu mal conseguia segurar minha cabeça. Foi quando o pai e a mãe vieram me ver. E depois consegui ver minha pequena Cecilia. Ela me deu um beijinho e ficou um pouquinho lá comigo. Bem querida. Na saída quando estava voltando pro carro ela ficou triste e achava que ela que tinha machucado o coração da mamãe. Chegou em casa e foi direto se ajoelhar e fazer uma oração.

No outro dia, sábado perto do meio dia me mandaram para o quarto. E lá fiquei fazendo exercícios para respirar, para limpar os pulmões de todo o líquido. Vinha alguém pra me ajudar a levantar e tentar caminhar. Eles não te deixam só deitado na cama não. Faz parte da recuperação levantar e caminhar um pouquinho a cada dia.

Fiquei 6 dias no hospital. Melhorando um pouco a cada dia. Levantar e deitar era bem dolorido e caminhar me deixava tonta.

A cirurgia em si: Porque chamam a cirurgia de coração de aberto? Poque eles literalmente abrem o coração para poder acessar o problema. O médico corta o sternum que é o osso do peito que une as costelas. E uma vez aberto o peito eles fazem uma incisão no coração para abrí-lo e acessar o buraco. Lá o médico pega tecido da volta do coração para costurar e fechar o buraco. O peito é amarrado depois com fios de aço inox. E a pele foi meio que “colada”. Sem precisar cortar os pontos depois.

Recuperação: A recuperação é dolorida. É difícil levantar e sentar na cama. Somente com ajuda é possível. Tive o melhor enfermeiro do hospital me ajudando o tempo todo. Meu marido lindo. Até as enfermeiras ficaram surpresas com o quanto ele me ajudava em tudo. Eu ganhei do hospital uma almofada em formato de coração que eu preciso abraçar toda hora que vou tossir. Eles me forçavam a tossir no hospital para ajudar a tirar a água que ficou nos pulmões da cirurgia. Também fiz outros exercícios respiratórios.

Depois de uma semana e meia de cirurgia dei meu primeiro espirro. Dói. Foi realmente muito dolorido. O peito que está amarrado se espande e isso dói muito mesmo.

Na primeira semana foi quando tomei mais remédios para dor. As dores maiores são no resto do corpo pela posição de dormir. As vezes dá dor na incisão também e no osso do peito. Fiquei muito dolorida porque tenho que dormir mais sentada do que deitada. Meu médico receitou um relaxante muscular que ajudou bastante e também com o tempo vou conseguindo deitar melhor e assim vai melhorando. Ainda hoje 3 semanas depois deito com 4 travisseiros na cama para ficar mais alta porque deitar totalmente reta é dolorido.

Não posso levantar peso acima de 5 kilos e levantar muito os braços dói um pouco.

Meus pais vieram ajudar. Foi muito bom saber que eles estavam cuidando da minha princesa. Minha mãe ainda vai ficar mais tempo ajudando nas coisas da casa e com a Cici porque não consigo ainda fazer tudo. Não posso dirigir por 6 semanas.

Minha filha é um tesouro. Ela fala para todo mundo que agora a mamãe está com o coração bom. Ela sabe que não posso pegar ela no colo e sabe do meu dodói no peito e quando vem me abraçar vem bem devagar e de longe. Ela disse um dia que quer crescer e ir para o hospital para fazer um corte no peito como o da mamãe. Semana passada levei ela no pediatra e falei do meu caso para ele e ele escutou o coração dela com mais atenção e descobriu que ela também tem um sopro. Ele disse para dar mais um ano e a partir dali ver o que fazer. Espero que ela não tenha que passar por tudo isso. Mas sei que se precisar ela será forte e o Pai Celestial vai protegê-la.

Alguns dias antes da cirurgia pensei em desistir. O medo do desconhecido toma conta. Mas o Senhor me deu uma tranquilidade tão grande de que tudo daria certo. A recuperação realmente não é tão ruim quanto se imagina. É dolorido, é delicado mas não é nada insuportável.

Sou grata pela equipe médica que cuidou de mim no hospital. Pelos meus médicos que identificaram o problema e foram super rápidos em buscar a solução. Fiz a cirurgia em um hospital maravilhoso e graças à tudo isso estou hoje bem, cada dia melhor. E sou grata ao meu Pai Celestial pelo amor que Ele tem por mim e por me colocar no lugar certo na hora certa para que tudo isso fosse possível.

* As fotos:
1. Minha pequena resolveu fazer uma apresentação de dança antes de eu sair para o hospital.  2. Eu e meu amor no hospital na véspera da cirurgia. 3 e 4. Voltando para casa de coração novo.

3 comentários:

Megan Marie disse...

wow! i am so grateful that you shared your story. you are woman of such faith!

Mi disse...

Pri, que bom, correu tudo bem, você tem uma família maravilhosa e com certeza o Pai Celestial estava com você o tempo todo . Obrigada por compartilhar um pedacinho da sua vida com a gente. Sei que que vai estar 100% logo, logo. Beijinhos amiga

Elizabeth Gavilan disse...

Oi, Priscila... o Senhor é maravilhoso, não é?! Desejo-lhe muita felicidade, força, paz e muita, muita, muita saúde. Sua família é linda e muito especial. Um beijo no seu coração, linda.